O Que Fazer Após um Acidente nos EUA: Passo a Passo
Depois de um acidente sério nos Estados Unidos, os primeiros minutos e os primeiros dias viram uma correria de dor e de decisões que você nunca imaginou ter que tomar, ainda mais longe de casa e num idioma que não é o seu. É justamente nessas horas que algumas atitudes simples protegem duas coisas ao mesmo tempo: a sua saúde e o seu direito de buscar indenização mais tarde. Este é um passo a passo prático, em português, do que fazer (e do que não fazer) logo depois de um acidente. Vale para qualquer tipo: batida de carro, atropelamento, queda numa loja, acidente no trabalho ou numa obra. Se você está lendo por causa de um familiar internado, estes passos servem para você também.
Somos advogados brasileiros, licenciados nos Estados Unidos, e cuidamos de casos de lesão grave em português, do primeiro telefonema até o acordo ou o julgamento. Guarde ou compartilhe esta página com quem possa precisar, e, se ficar qualquer dúvida, a primeira conversa é gratuita. Se não ganharmos, você não paga honorários advocatícios.
Importante: Resultados anteriores não garantem resultados futuros. Esta página tem caráter informativo e não constitui aconselhamento jurídico nem cria relação advogado-cliente.
Uma observação rápida sobre o nosso escritório: trabalhamos com poucos casos por vez, por opção, e damos prioridade a lesões graves (internação, cirurgia, fraturas, lesões permanentes ou incapacitantes, morte). Representamos somente quem se feriu, nunca quem causou o acidente. Estes passos, porém, valem para qualquer pessoa que se acidentou, então leia, salve e repasse à vontade. Se o seu caso não for para o nosso escritório, fale conosco assim mesmo: quando é possível, indicamos um caminho.
Passo 1: cuide primeiro da saúde
Antes de qualquer coisa jurídica, vem a sua saúde. Aceite o socorro, vá de ambulância se oferecerem e deixe que os médicos examinem você, mesmo que no susto pareça que não foi nada. Muita lesão séria não dói na primeira hora: a adrenalina esconde a dor, e sangramentos internos, traumas na cabeça e algumas fraturas só dão a cara horas ou dias depois. Por isso, dois cuidados fazem diferença:
- Relate cada queixa ao médico, até a que parece boba, como uma tontura, um enjoo ou uma dor nas costas. O que não for registrado agora fica difícil de provar depois.
- Siga o tratamento à risca e não falte às consultas. Cada buraco no tratamento é lido pela seguradora como “melhorou, então não era grave”.
Guarde a papelada da alta, as receitas e o nome do hospital. Além de ser o que mais importa neste momento, o seu prontuário médico vira a prova mais forte da gravidade do que aconteceu.
Passo 2: garanta o registro oficial do acidente
Um acidente que ninguém registrou vira a palavra de um contra a do outro, e a seguradora adora essa situação. Como conseguir esse registro depende de onde o acidente aconteceu:
- Batida de carro, atropelamento ou acidente na rua: ligue para o 911 e espere a polícia. Peça ao policial o número do relatório (police report) e o nome ou o número de identificação dele. A via completa costuma ficar pronta alguns dias depois, e nós conseguimos obtê-la para você.
- Queda ou acidente dentro de uma loja, restaurante ou prédio: avise o gerente na hora e peça que registrem o ocorrido por escrito (incident report). Guarde uma cópia ou, pelo menos, o número do registro e o nome de quem atendeu.
- Acidente no trabalho ou numa obra: comunique o supervisor e peça que fique registrado por escrito, mesmo que você receba em dinheiro ou “por fora”.
Um cuidado que vale para todos: no calor da hora, não assuma culpa nem diga que “está tudo bem”. Um simples “foi mal, não te vi” ou “estou bem” pode ser anotado e usado depois contra você. Conte os fatos para a autoridade, sem chutar de quem foi a culpa. Vale saber ainda que a gravação da ligação de emergência (911) e o relatório da equipe de resgate que atendeu você (EMS) também são provas com data e hora, e nós buscamos esses documentos quando ajudam o seu caso.
Passo 3: reúna as provas ainda no local
A prova mais valiosa é a que se tira nos primeiros minutos, porque boa parte dela desaparece depressa. Se você tiver condições, use o celular. Se não tiver, peça a quem estiver com você ou a um familiar:
- Fotografe tudo: os veículos e os danos, as placas, o local, a via, a iluminação e o tempo, e também aquilo que causou o acidente (o piso molhado sem placa, o degrau quebrado, o gelo na entrada, o buraco no chão, o equipamento com defeito). Fotografe as suas lesões visíveis e continue fotografando ao longo dos dias, conforme os hematomas aparecem.
- Anote nome e telefone das testemunhas. Quem viu o acidente pode fazer toda a diferença, mas some rápido: as pessoas vão embora e depois não dá mais para achar.
- Procure câmeras por perto: de trânsito, de lojas, de campainha (doorbell), de painel de carro (dashcam). Muitas gravam por cima em poucos dias, então anotar onde elas ficam já é um começo.
Você não precisa montar um dossiê perfeito. Umas poucas fotos e dois ou três contatos de testemunha já valem muito mais do que a memória de todo mundo semanas depois.
Passo 4: não fale com o seguro (nem assine nada) antes de um advogado
Poucos dias depois do acidente, quase sempre liga um ajustador (insurance adjuster) da seguradora do outro lado. A conversa costuma ser gentil: ele lamenta o ocorrido, diz que só quer “entender o que houve” e promete “resolver rápido”. O tom engana. O trabalho dele é fechar o caso pagando o mínimo possível, e três armadilhas ajudam a seguradora a chegar lá:
- O depoimento gravado (recorded statement). Com dor e com medo, você solta uma frase simples como “já estou melhorando” ou “acho que nem vi”, e ela é recortada depois para reduzir o valor ou jogar a culpa em você. Você não é obrigado a dar esse depoimento à seguradora da outra parte.
- A autorização médica em aberto (medical authorization). Assinada assim, sem limite, ela libera a seguradora para vasculhar anos do seu histórico atrás de qualquer coisa que sirva para alegar que a sua lesão “já existia antes”.
- A pressa por um acordo. A primeira oferta chega cedo e baixa, de propósito, enquanto você ainda não sabe o tamanho da lesão. Assinar o recibo de acordo (release) encerra o seu direito de pedir mais, mesmo que semanas depois apareça a necessidade de uma nova cirurgia.
A regra segura é uma só: não preste declaração gravada, não assine nada que você não entendeu por completo e não aceite acordo antes de falar com um advogado. Depois que você nos contrata, quem conversa com a seguradora passamos a ser nós.
Passo 5: guarde todas as contas e comprove o prejuízo
A sua indenização se constrói com papel. Quanto melhor você guardar o rastro do prejuízo, mais forte fica o caso:
- Guarde todas as contas médicas e cartas de cobrança, inclusive as que chegam em dólar meses depois. Não ignore, mas também não saia pagando às pressas: esses valores entram no cálculo da indenização, e depois nós ainda tentamos derrubar boa parte do que hospital e plano cobram.
- Guarde a prova da renda que você perdeu: holerites, uma carta do empregador, o registro dos dias que ficou parado.
- Guarde os gastos de bolso ligados ao acidente: transporte para o tratamento, remédios, muletas, adaptações em casa.
Uma pasta simples, ou uma foto de cada documento no celular, já resolve. E dois pontos costumam pegar o brasileiro de surpresa. Nos Estados Unidos, o hospital ou o plano que pagou o seu tratamento pode ter direito de reaver parte do que você receber no fim (o chamado lien), e reduzir esses valores, para sobrar o máximo possível no seu bolso, faz parte do nosso trabalho. E se você está sem plano de saúde e sem como pagar o tratamento agora, em muitos casos dá para encaminhar você a médicos que atendem vítima de acidente e recebem só quando o caso se resolve, para que você faça exames, cirurgia e fisioterapia sem tirar do próprio bolso.
Passo 6: cuidado com as redes sociais
Esse é o passo que mais gente subestima, e um dos que mais derrubam caso. Depois do acidente, a seguradora do outro lado costuma vigiar os seus perfis, e uma foto sorrindo num aniversário, um check-in na praia ou um “graças a Deus, estou bem” vira munição para dizer que você não estava tão machucado assim. Alguns cuidados simples:
- Pare de postar sobre o acidente, sobre a sua recuperação e sobre a sua rotina até o caso se resolver.
- Peça a amigos e familiares que não marquem você em fotos nem publiquem sobre o ocorrido.
- Deixe os seus perfis privados, mas não confie só nisso: o que está na internet pode acabar vindo à tona de um jeito ou de outro.
- Não apague posts antigos depois do acidente. Sumir com uma prova pode ser visto como esconder informação e piora a sua situação. Simplesmente pare de publicar.
E não aceite convites de amizade de desconhecidos nesse período: às vezes é a própria seguradora tentando ver o que está fechado.
Passo 7: fale com um advogado cedo (a prova some sozinha)
Este é o passo que dá tempo a todos os outros. Num caso de acidente, a prova estraga rápido, e boa parte dela some sem que ninguém precise esconder nada:
- As câmeras de trânsito, de lojas e de campainha gravam por cima em poucos dias.
- As testemunhas seguem a vida, esquecem detalhes ou mudam de endereço.
- O carro é consertado ou leiloado, o piso é limpo, o degrau é trocado, o gelo derrete.
- Muitos veículos guardam num módulo interno (o EDR, uma espécie de “caixa-preta”) a velocidade e a frenagem nos segundos antes da batida, e esse registro também pode ser apagado.
Um advogado consegue travar essa perda logo no começo, enviando cartas formais de preservação para que câmeras, registros de manutenção e dados do veículo sejam guardados antes de sumir. Enquanto isso, a seguradora corre na direção oposta, tentando fechar um acordo baixo antes de você entender o tamanho da lesão. Falar com um advogado cedo não obriga você a nada, e a primeira conversa é gratuita: ela serve justamente para preservar o que importa enquanto você decide o que fazer.
Você ou um familiar se acidentou nos EUA? Fale com um advogado agora.
A primeira conversa é gratuita e em português. Se não ganharmos, você não paga honorários advocatícios.
Resumo: o que não fazer depois de um acidente
Se você guardar só uma parte desta página, que seja esta lista. São os erros que mais custam caro:
- Não assuma culpa nem diga “estou bem” no local do acidente.
- Não deixe de ir ao hospital nem de seguir o tratamento.
- Não dê depoimento gravado à seguradora do outro lado.
- Não assine autorização médica em aberto nem recibo de acordo sem um advogado ver antes.
- Não aceite o primeiro cheque sem saber o tamanho da sua lesão.
- Não pague as contas médicas às pressas nem jogue fora nenhuma delas.
- Não poste nas redes sociais, e não apague o que já postou.
- Não deixe o tempo passar: a prova some, e com ela o seu caso enfraquece.
Por que um advogado brasileiro licenciado nos EUA
Machucado e longe de casa, a última coisa de que você precisa é brigar com o inglês e com um sistema jurídico que não conhece. Somos advogados brasileiros, inscritos na OAB e licenciados para atuar nos Estados Unidos. Você conta a sua história em português, direto com o advogado que conduz o caso, sem intérprete de ocasião e sem telefone sem fio. Quem cuida do processo entende os dois lados: o padrão americano de como se prova e se negocia um caso desses, e a realidade de quem tem família, documentos ou conta bancária no Brasil. Atendemos diretamente na Califórnia e no Texas, onde temos escritórios, e nos demais estados por meio de advogados parceiros de confiança, sempre com você falando com a gente na sua língua. E não deixe a questão do documento travar você: o direito de buscar indenização não depende da sua situação migratória, e, se em algum momento for preciso um número para receber os valores, existe o ITIN, que orientamos como conseguir, sem depender de green card nem de Social Security.
Perguntas frequentes
1. Acabei de me acidentar nos EUA. Qual é a primeira coisa que devo fazer?
Cuide da saúde antes de tudo: aceite o socorro e vá ao hospital, mesmo que pareça que não foi nada. Depois, se conseguir, garanta o registro do acidente (a polícia numa batida, o gerente numa loja, o supervisor no trabalho) e tire fotos do local. E, antes de falar com qualquer seguradora, converse com um advogado.
2. Me sinto bem. Preciso mesmo ir ao hospital?
Vale muito ir. Depois de um acidente, a adrenalina esconde a dor, e lesões sérias como trauma na cabeça e sangramento interno podem só aparecer horas ou dias depois. Além de proteger a sua saúde, o atendimento médico logo após o acidente cria o registro que liga a lesão ao acidente, e isso é decisivo se você for buscar indenização.
3. Preciso chamar a polícia mesmo num acidente que parece pequeno?
Num acidente de trânsito ou atropelamento com feridos, sim, chame o 911. Se o acidente foi dentro de uma loja, de um restaurante ou no trabalho, o equivalente é avisar o responsável na hora e pedir que registrem por escrito (o incident report). O importante é que fique um registro oficial, com data, do que aconteceu.
4. Como eu consigo o boletim de ocorrência (police report)?
No local, peça ao policial o número do relatório e o nome dele. A via completa costuma ficar pronta alguns dias depois. Se você nos contratar, nós obtemos esse documento para você, junto com a gravação do 911 e o relatório do resgate (EMS), quando ajudam o caso.
5. O ajustador do seguro quer um depoimento gravado. Sou obrigado a dar?
Não. Você não é obrigado a dar depoimento gravado à seguradora da outra parte. Qualquer frase dita com dor ou com medo pode ser recortada depois para reduzir a sua indenização. Fale com um advogado antes de dizer ou assinar qualquer coisa.
6. A seguradora me mandou uns papéis para assinar. Posso assinar?
Não sem alguém de confiança ler antes. Dois documentos costumam trazer armadilha: a autorização médica em aberto, que deixa a seguradora vasculhar todo o seu histórico atrás de uma “lesão anterior”, e o recibo de acordo (release), que encerra o seu direito de pedir mais. Na dúvida, não assine e fale com a gente.
7. Já conversei com a seguradora e disse algumas coisas. Estraguei o meu caso?
Nem sempre. Muita gente fala com o seguro antes de saber que não devia, e nem por isso o caso está perdido. O melhor a fazer agora é parar de dar informação para a seguradora e conversar com um advogado, que avalia o que já foi dito e assume daí para frente.
8. Postei nas redes sociais depois do acidente. E agora?
Pare de postar a partir de agora e peça que não marquem você em nada. Mas não saia apagando o que já publicou, porque apagar pode ser interpretado como esconder prova. Deixe os perfis privados e comente a situação com o seu advogado, que orienta o que fazer.
9. Estão chegando contas médicas. Devo pagar logo?
Guarde todas, inclusive as que chegam em dólar meses depois, mas não saia pagando às pressas. Essas contas entram no cálculo da indenização, e mais tarde nós tentamos reduzir boa parte do que o hospital e o plano cobram (os chamados liens). Não ignore as cartas de cobrança, só não as quite sem orientação.
10. Não tenho plano de saúde e preciso de tratamento. O que faço?
Em muitos casos, conseguimos encaminhar você a médicos que atendem vítima de acidente e recebem só no fim, quando o caso se resolve. Assim você faz exames, cirurgia e fisioterapia sem tirar do próprio bolso agora. Fale com a gente para avaliar.
11. O acidente foi em parte por minha culpa também. Ainda vale procurar um advogado?
Muitas vezes, sim. Na maioria dos estados, mesmo que uma parcela da culpa seja atribuída a você, ainda pode caber indenização, reduzida na proporção da sua parte. A seguradora adora dizer que a culpa foi toda sua, mas isso raramente decide o caso sozinho. Vale conversar antes de aceitar qualquer “a culpa foi sua”.
12. Preciso de documento, green card ou Social Security para buscar indenização?
Não. O direito de buscar indenização não depende da sua situação migratória. Se em algum momento for preciso um número para receber os valores, existe o ITIN, e nós orientamos como conseguir.
13. Quanto custa falar com vocês?
A primeira conversa é gratuita e em português, sem compromisso. Trabalhamos por contingência: você não paga honorários advocatícios adiantados, e só cobramos honorários se você ganhar. Os custos do processo são tratados à parte e explicados antes de você assinar.
14. Vocês defendem quem causou o acidente?
Não. Ficamos sempre do lado de quem se feriu, nunca da parte que causou o acidente nem da seguradora dela.
15. O acidente já faz um tempo, ou eu já voltei para o Brasil. Ainda dá para fazer alguma coisa?
Em muitos casos, sim, e conduzimos o caso nos Estados Unidos fazendo a ponte com você no Brasil. De todo jeito, o importante é falar com a gente o quanto antes: com o tempo, as provas se perdem (as câmeras apagam, as testemunhas somem, os veículos são consertados). Ligue e avaliamos, sem compromisso.
Veja também a nossa página principal: Advogado de Acidentes nos EUA para Brasileiros.
Publicidade de advogado. Os serviços jurídicos nos Estados Unidos são prestados por Oliveira Law, PLLC. Luciano Oliveira é licenciado na Califórnia e no Texas; casos em outros estados são conduzidos em conjunto com advogados parceiros locais.

